Ontem foi dia de festa. Meus avós vieram do
interior e a Fe iria com o Lucas, então nos dividimos em dois carros. Eu e meu
pai voltaríamos mais cedo, prezando pelo meu próximo treino de 30.
Dei apenas uma bebericadinha num drink de
banana com canela que meu pai escolheu e no cosmopolitan (Nana, nenhum é melhor
que o seu!) e levamos pra minha mãe. Até aí, tudo certo... até acabar o jantar
e chegar na mesa de doces! Uma perdição! (Adriana, se o Juninho fez você ganhar
uns quilos, você também nos fez! E hoje eu precisava eliminá-los!)
Fomos embora mais cedo. Deixei a roupa e os
gels de carboidrato separados para hoje e dormi logo. Acordei às 4h40 da manhã.
Um pouquinho só de ansiedade... Voltei a dormir. Acordei às 7h (do nada, sem despertador novamente!).
Chá, banheiro, micropore, Ipod, Garmin... Toda aquela
parafernália, que já citei, e eu estava pronta para correr! Enquanto me
aprontava, assisti ao meu discurso de formatura. É que nessa semana, o Marcão
resolveu treinar também o meu psicológico. Ele contou que tinha visto meu discurso
de oradora no youtube e perguntou como que, depois daquilo, um treino de 30km
poderia ser difícil e me deixar nervosa (como aconteceu no domingo passado)? Se
eu tinha corrido 27km tranquilamente?! Então ele me disse para lembrar sempre
das minhas conquistas passadas, para encarar os novos desafios.
Não peguei os óculos escuros. E, indo pro
parque, meu pai disse que não fazia mais maratona com óculos. Era uma coisa a
mais pra se preocupar, embaçava, tinha que ficar limpando... pronto, ele já havia
me convencido! Hoje eu correria sem óculos, afinal, já tinha o boné pra me proteger
do sol. Cadê o fone que eu separei? Nada! Larguei em casa, em algum lugar. Meu
pai me emprestou o dele (é muito amor!). Ainda no caminho, ouvimos “Band on the
run”! E se até o Paul McCartney estava neste clima,
por que não eu?!
Chegando ao parque, aqueci, dei uma alongada e
comecei a correr. Sem a mochila nas costas, estava livre, leve e solta! Comecei
às 8h15! (o que realmente faz e fez uma diferença positiva!)
E leve fui levando as passadas, embalada num
ritmo frequente. Eu pensava do Forrest Gump se livrando daquela aparelhagem em
suas pernas e correndo. Eu me lembrava de mim discursando, para um salão cheio,
aquelas palavras que havia escrito e decorado. Eu recordei as corridas na USP,
subindo a Biologia. Enfim, nada me deixaria abalar. Hoje eu era uma atletinha!
(Em homenagem ao meu primo Caio, que se diz um “adultinho”!)
Foi assim, absorta em meus pensamentos, sob o
sol que vinha esquentar e às vezes arrefecia, que 15km passaram como se fossem
o aquecimento. Meu pai estava acabando o treino dele. Me entregou os gels e
disse que esperaria no final. Meu irmão disse que correria a segunda metade
comigo, mas claro que ele só foi acordar quando chegamos em casa... Não tinha
problema. Correr sozinha estava uma delícia.
Em alguma das 5 voltas, perto do lago, um
menininho corria, exibindo sua velocidade aos seus pais. (crianças correndo com
tanta facilidade e vontade são provas de que nascemos para correr!) Quando
passei por ele, ele correu mais um pouquinho ao meu lado e abriu um sorrisão.
Cruzar com as pessoas durante a corrida é
interessante. Mesmo cansada, esboço um princípio de sorriso, nem sempre
correspondido, mas persisto, e é muito legal quando alguns mudam sua expressão!
Em alguns trechos, o caminho é mais apertado.
Eu estava correndo num sentido e um cara no outro. Simplesmente apontei para
um lado e ele indicou com o braço que iria pro outro. Normas básicas de
trânsito. Falando nisso, passei por um homem que,
correndo, tinha chutado pro lado um galho que estava no meio do caminho.
Certamente evitou que alguém que viria depois tropeçasse. (Sim, ainda existe
solidariedade entre os homens e em São Paulo!)
Na “linha de chegada” encontrei meu pai, e
encontramos o Paulo e a Raquel (também corredores) com quem foi ótimo conversar
um pouquinho! Minha mãe chegou em seguida, completando 12km.
Assim, eu e ela, juntas, fechamos uma maratona!
Até mais, meus colegas esportistas e aspirantes!