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terça-feira, 20 de maio de 2014

Véspera da maratona de Düsseldorf

Era sábado, faltava apenas um dia para a primeira maratona do meu irmão, mas ele não esboçava qualquer apreensão como eu vivenciara 8 meses antes, na estreia dos 42km.

Mesmo pai, mesma mãe, mesmos valores, mesma decisão de correr essa distância lendária, mas pra cada um a experiência da maratona fazia-se única. - E aqui estou englobando tudo: o período do treinamento, os pensamentos e sentimentos do antes, do durante e do depois.

A véspera da esperada corrida era o dia da suposta feira da maratona. Pra quem já tinha tinha ido à feira da maratona da Disney e à feira da maratona de Québec (que já era pequena comparada à da Disney), nem podíamos dizer que lá em Düsseldorf havia uma feira... havia sim um local onde buscaríamos os kits (camiseta, número de peito com chip, mochila, mapa da corrida, etc).

Fomos caminhando do hotel até lá. Detalhe que não era muito perto, mas, o que era uma boa caminhada diante de meia maratona ou até de uma inteira?!

Nesse tipo de "feira" (por menor que seja, vide esta), há mesas com pessoas divulgando as mais diversar maratonas ao redor do mundo. Logo na entrada, encontramos um cara muito simpático divulgando uma maratona no Suriname! Quando dissémos ser brasileiros, ele nos deu um abraço dizendo que éramos vizinhos! 

Também estavam expondo alguma maratona na Espanha - como chamariz deixavam sobre a mesa aperitivos: presuntos e queijos de origem.

Pegamos os nossos kits e fomos encontrar uma amiga minha alemã que fora intercambista junto comigo há 10 anos... 

Com o kit em mãos
Vendo o mapa da corrida
Uma tarde agradável com velhos e novos amigos.
(E na minha blusa estava escrito o seguinte: "Running is a mental sport and we are all insane.")

Tivemos uma tarde tranquila, mas depois estávamos a pé pra voltar para o hotel, e andamos bem mais do que o indicado para uma véspera de uma maratona (ou meia).

Para jantar: massa, num restaurante italiano.

Deixamos separadas as roupas para o dia seguinte e dormimos...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cinderela moderna

No sábado passado fui ao segundo casamento consecutivo. Novamente, precisei ir embora antes que a carruagem virasse abóbora... Acontece que essa era uma versão moderna da Cinderela...

1. meia noite e vinte era meia noite;
2. um toque de celular era o badalar dos sinos;
3. um honda fit  era a minha carruagem;
4. meu pai, minha mãe e minha cachorrinha eram os cocheiros;
5. não havia príncipe nem madrasta;
6. no dia seguinte, o sapatinho que entrou no meu pé não era de cristal... mas era rosa!

Às 5h20 da manhã já estava de pé. Às 7h10 começava a correr a meia maratona da Asics. Fazia tanto frio que, mesmo com o suor escorrendo, o vento ardia de gelado.

Meu pai me acompanhou do início ao fim. E os 21km me pareceram mais tranquilos e curtos, depois de ter feito dois treinos de 30km, nos domingos anteriores. Dessa vez, porém, eu não estava em um treino, mas em uma provinha, e daí tem a tal da adrenalina que nos dá um gás a mais...

Lá pelos quilômetros finais, li num banner uma frase genial de tão verdadeira: “Você pode correr usando apenas as pernas, no entanto, para ir mais longe, precisará também da cabeça.” (Márcio Dederich)

Minha cabeça estava leve e fui correndo da mesma forma. Nos últimos 100 ou 200 metros, cheguei dando um tiro forte. Mais tarde, vim a descobrir com o Marcão, meu treinador, que isso não é legal: não há necessidade e pode desencadear lesão. Então, pra todos, que como eu, resolvem dar tiros quando veem a linha de chegada, esqueçam dos segundos ou do minuto que deixarão de ganhar. Mais vale tentar abrandar a agressividade que toda essa atividade física pode nos causar.

Felizmente, não tive dores, e cruzei a linha de chegada mais ou menos como no fim dos contos de fada: feliz.

domingo, 21 de julho de 2013

Segundo treino 30km: os pensamentos nos pés

Ontem foi dia de festa. Meus avós vieram do interior e a Fe iria com o Lucas, então nos dividimos em dois carros. Eu e meu pai voltaríamos mais cedo, prezando pelo meu próximo treino de 30.

Dei apenas uma bebericadinha num drink de banana com canela que meu pai escolheu e no cosmopolitan (Nana, nenhum é melhor que o seu!) e levamos pra minha mãe. Até aí, tudo certo... até acabar o jantar e chegar na mesa de doces! Uma perdição! (Adriana, se o Juninho fez você ganhar uns quilos, você também nos fez! E hoje eu precisava eliminá-los!)

Fomos embora mais cedo. Deixei a roupa e os gels de carboidrato separados para hoje e dormi logo. Acordei às 4h40 da manhã. Um pouquinho só de ansiedade... Voltei a dormir. Acordei às 7h (do nada, sem despertador novamente!).

Chá, banheiro, micropore, Ipod, Garmin... Toda aquela parafernália, que já citei, e eu estava pronta para correr! Enquanto me aprontava, assisti ao meu discurso de formatura. É que nessa semana, o Marcão resolveu treinar também o meu psicológico. Ele contou que tinha visto meu discurso de oradora no youtube e perguntou como que, depois daquilo, um treino de 30km poderia ser difícil e me deixar nervosa (como aconteceu no domingo passado)? Se eu tinha corrido 27km tranquilamente?! Então ele me disse para lembrar sempre das minhas conquistas passadas, para encarar os novos desafios.


Não peguei os óculos escuros. E, indo pro parque, meu pai disse que não fazia mais maratona com óculos. Era uma coisa a mais pra se preocupar, embaçava, tinha que ficar limpando... pronto, ele já havia me convencido! Hoje eu correria sem óculos, afinal, já tinha o boné pra me proteger do sol. Cadê o fone que eu separei? Nada! Larguei em casa, em algum lugar. Meu pai me emprestou o dele (é muito amor!). Ainda no caminho, ouvimos “Band on the run”! E se até o Paul McCartney estava neste clima, por que não eu?!

Chegando ao parque, aqueci, dei uma alongada e comecei a correr. Sem a mochila nas costas, estava livre, leve e solta! Comecei às 8h15! (o que realmente faz e fez uma diferença positiva!)

E leve fui levando as passadas, embalada num ritmo frequente. Eu pensava do Forrest Gump se livrando daquela aparelhagem em suas pernas e correndo. Eu me lembrava de mim discursando, para um salão cheio, aquelas palavras que havia escrito e decorado. Eu recordei as corridas na USP, subindo a Biologia. Enfim, nada me deixaria abalar. Hoje eu era uma atletinha! (Em homenagem ao meu primo Caio, que se diz um “adultinho”!)

Foi assim, absorta em meus pensamentos, sob o sol que vinha esquentar e às vezes arrefecia, que 15km passaram como se fossem o aquecimento. Meu pai estava acabando o treino dele. Me entregou os gels e disse que esperaria no final. Meu irmão disse que correria a segunda metade comigo, mas claro que ele só foi acordar quando chegamos em casa... Não tinha problema. Correr sozinha estava uma delícia.

Em alguma das 5 voltas, perto do lago, um menininho corria, exibindo sua velocidade aos seus pais. (crianças correndo com tanta facilidade e vontade são provas de que nascemos para correr!) Quando passei por ele, ele correu mais um pouquinho ao meu lado e abriu um sorrisão.

Cruzar com as pessoas durante a corrida é interessante. Mesmo cansada, esboço um princípio de sorriso, nem sempre correspondido, mas persisto, e é muito legal quando alguns mudam sua expressão!

Em alguns trechos, o caminho é mais apertado. Eu estava correndo num sentido e um cara no outro. Simplesmente apontei para um lado e ele indicou com o braço que iria pro outro. Normas básicas de trânsito. Falando nisso, passei por um homem que, correndo, tinha chutado pro lado um galho que estava no meio do caminho. Certamente evitou que alguém que viria depois tropeçasse. (Sim, ainda existe solidariedade entre os homens e em São Paulo!)

E como de longo já bastou meu treino de hoje, devo, por bem, levá-los para o fim do treino. E é com muita alegria que digo que hoje não senti frio nos quilômetros finais. Hoje meus pensamentos foram só positivos (e isso influencia mais do que vocês podem imaginar!). E hoje completei os mesmos 30km da semana passada 7 minutos mais rápido, e me sentindo inteira!

Na “linha de chegada” encontrei meu pai, e encontramos o Paulo e a Raquel (também corredores) com quem foi ótimo conversar um pouquinho! Minha mãe chegou em seguida, completando 12km. Assim, eu e ela, juntas, fechamos uma maratona!


Até mais, meus colegas esportistas e aspirantes!

domingo, 14 de julho de 2013

Meu primeiro treino de 30km

Não coloquei o despertador pra tocar. Acordei às 7h30. Lá fora já estava sol e quente. O sol não me daria trégua...

Café da manhã: uma banana pequena, duas fatias de pão integral light com queijo branco, e uma xícara de chá quente. Quente é um detalhe importante se você vai sair para um treino longo e não quer ter que parar no meio pra ir ao banheiro... Pois é, detalhes assim ninguém gosta muito de falar, mas são importantes.

Preparativos: shorts, top, camiseta, meia, boné, óculos, Garmin carregado, frequencímetro, ipod carregando. Protetor solar, vaselina no pé (tem me ajudado muito a evitar bolhas), micropore em baixo do top/frequencímetro, frente e costas (ajuda a não machucar pelo atrito – para o caso de treinos longos).

Ontem o Marcão me desejou boa viagem, porque 30 deixava de ser treino, para ser viagem. E certamente foi, tanto que saí de mochila (Camel Bak).

Na Camel Bak: água e 2 géis de carboidrato, para hidratação e suplementação durante o treino.

Local: Parque do Ibirapuera.

Início da viagem: 9h30 (quando o trânsito estava tranquilo, porque o grosso do povo paulistano ainda dormia).

Comecei sozinha. Tudo nos conformes. Km 12 cruzei com meus pais. De lá até o km 24 meu pai foi meu parceiro e meu orientador.

Km 15, a Camel Bak chacoalhando nas minhas costas e eu já achando aquilo meio incômodo, vem um corredor, também com sua Camel Bak, e me diz que precisava ter um fecho na altura da barriga. Eu disse que a minha não tinha, que tava correndo com ela pela primeira vez, e que era um treino de 30km. Ele me disse: “Então ganhei de você! Estou fazendo 45 hoje!” Contei que eu estava treinando pra minha primeira maratona. E ele falou que se era a primeira, pra eu não treinar mais que 32! Eu disse que não iria! Que teria aquele e mais dois treinos de 30. Daí fomos chegando perto do meu pai que o viu e disse: “Marina, você está falando com um dos maiores corredores de longa distância: Claudio Zuccolo! Ele já correu a maratona de Sables, no deserto do Saara!” Fiquei extremamente lisonjeada de conhecer um atleta tão fantástico, corredor de ultramaratonas! E minha viagem ainda estava no começo...

Km 16 e eu já comecei a me sentir cansada, fiquei nervosa... Corrida é totalmente psicológico. Meu pai me chamou a atenção, para que eu não supervalorizasse aquilo, ficasse calma, e corresse no ritmo que o meu corpo conseguisse, sem me apegar ao ritmo proposto pelo Marcão, que ontem já tinha me dito que eu não precisava seguir tudo à risca e nem completar os 30, se não conseguisse. Precisei de umas chamadas de atenção. Pensando no Caballo Blanco dizendo: “fácil, leve e suave...” Mas leve não estava...

Km 19, sentindo o ombro e a lombar, deixei a Camel Bak com meu pai e fiquei mais leve.

Cruzamos com a Lígia, que foi personal minha e do meu pai antes de voltarmos ao clube. Profissional incrível que eu gostaria de ter ao meu lado em todos os treinos de musculação!

Km 21, encontramos o Waldyr, nosso amigo que só gosta de correr no asfalto, por conta das raízes, mas ele topou nos acompanhar na volta externa por um tempo. Foi conversando com meu pai e eu seguindo os dois até o km 23/24.

Meu pai me acompanhou mais um pouco e dali em diante faltava uma voltinha de 6km (1/5 do treino).
Acabei o gel ali. Corri mais calma sabendo que em breve eu chegaria.

Km 27 e pensei: a partir daqui estou quebrando meu recorde pessoal! Comecei a sentir um pouco de frio. (Meu amigo Watcha, formado em Esporte e treinando para um ironman, disse que pode ser homeostase – uma adaptação do corpo que deixa de produzir calor pra não gastar tanta energia, porque já está em esforço).

Km 28 parei no bebedouro (não tinha mais a Camel Bak). A menina na minha frente tinha acabado de me passar e eu queria ir no ritmo dela. Perguntei a quanto ela estava e se podia tentar acompanhá-la. Ela disse que não sabia do ritmo, mas claro que eu podia. Daí que vi que ela tinha um boné escrito “Ironman”. Perguntei se ela tinha feito e  ela me disse que havia completado 3! Tinha 28 anos e tinha começado com 22! Nina Keller! Achei incrível! Corremos quase 1km juntas e fui terminar meus 30.

Chegando, lá estavam meus pais, meu tio Eugênio (também maratonista), meu primo Rafael e a filhinha dele, Maria Clara.

Muita emoção ao bater o relógio. Lá estava meu pai de braços abertos.

Muitos abraços de todos e a fofa da Maria Clara me entregou uma florzinha primavera.

Bem, esse foi meu primeiro treino de 30. Que venham os próximos!