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domingo, 5 de outubro de 2014

Lisboa Corre Pela Paz

Como havia lhes contado no post anterior, havia me inscrito na corrida de 10km "Lisboa Corre Pela Paz". E lá fui eu, no dia 28/09, com quase um mês de Lisboa, correr minha primeira provinha na cidade.

Eu não estava mais conseguindo acessar o site da corrida, mas consegui informações pela página deles no facebook. A corrida teria início na Avenida Liberdade, na altura do cinema São Jorge, junto à estação de metrô Avenida e terminaria ao lado do Museu do Combatente, junto à Torre de Belém.

Sem acesso ao site por algum problema do meu computador, eu não havia buscado meu número de peito e nem a camiseta. Apesar disso, na manhã seguinte tudo foi resolvido.

Dessa vez era eu e eu indo correr. As aulas do mestrado não haviam começado, e conhecendo pouca gente na cidade, não sabia de absolutamente ninguém que participaria desta corrida.

Era a primeira edição da referida prova e, quando cheguei ao ponto de largada, perto das 10h da manhã, percebi como éramos poucos inscritos. Como se não bastasse, eram poucos e bons!

Foi dado o tiro de largada e os corredores só me ultrapassavam, Senti por um momento que mesmo correndo em um ritmo abaixo de 6min/km, seria uma das últimas a cruzar a linha de chegada. Daí comecei a pensar: "O que é que vim fazer aqui?!" 

Mas já estava lá, o clima estava ótimo e eu aproveitaria a beleza do percurso.

Após a corrida, com a linda vista da Torre de Belém
Logo percebi que minha impressão inicial não fazia qualquer sentido. Ainda havia muitos corredores atrás e alguns ao lado... Ocorre que em certo momento, deve ter sido pelo km 3, percebi que eu e um senhor estávamos sempre um do lado do outro, correndo num mesmo ritmo. Era um desconhecido, mas de repente me vi dividindo aquele momento com ele.

Corríamos os dois naquela mesma passada e em silêncio, o qual resolvi quebrar quando passamos pela placa do km 9: "Só falta mais um!"

Ele pediu desculpas por estar correndo do meu lado e disse que era porque ajudava a manter o ritmo. Eu disse que não havia problema, e que ele também estava me ajudando muito!

Ao final, nos cumprimentamos e agradecemos a companhia um do outro.

Premiações da corrida "Lisboa Corre Pela Paz"

Premiações da corrida "Lisboa Corre Pela Paz"
Alho poró com ervilha, frango com
alecrim, alface, agrião e cenoura

Após a corrida, aproveitando que estava lá em Belém, que é distante de onde moro, aproveitei para comprar um merecido pastel de belém! Em casa, porém, para compensar o doce, fiz minha comidinha saudável! E assim tem sido um pouco da vida fora de casa...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Pelo Tejo vai-se para o mundo

Cá estou correndo na terrinha, entre uma burocracia e um passeio, entre uma faxina e um supermercado, entre uma chuva e um sol...

Mariana Passos, minha amiga lisboeta que vive em São Paulo, disse que dia 05/10 haveria maratona e meia aqui. E essa é uma da série Rock'n Roll. Meu pai correu uma dessas em San Diego, na Califórnia. A organização é muito boa! Mas, eu não estou treinando tanto para correr 21km agora...

Foi então que meu amigo João Xavier me deu a dica da corrida "Lisboa Corre Pela Paz". 10km, no próximo domingo, dia 28/09. A inscrição: 5€. Incrível! Eu me inscrevi facilmente pela internet, mas para pagar havia um número NIB, e como eu ainda não tenho conta bancária aqui, não conseguiria fazer a transferência para aquela conta com o número de referência. Precisei pedir ajuda... Paguei os 5€ ao João, que fez a transferência para mim. Daí, só precisei mandar por email o comprovante de pagamento e eles me responderam confirmando a inscrição e terminando com "saudações desportivas"! :)

Bem, ainda estou me adaptando a correr aqui. Sinto falta do Parque Ibirapuera... Mas ontem fiz uma corrida bem gostosa. Saí correndo de casa. (E aqui é bem comum as pessoas correrem na rua). Fui até a Av. Liberdade, desci a Rua Augusta e cruzei a Praça do Comércio (lá no Terreiro do Paço). Ali cheguei a beira do Tejo, onde corri mais um pouco até virar e fazer o caminho de volta.

Na beira do rio eu percebi que haviam palavras escritas em letras grandes. Era difícil de ler tudo correndo, mas logo reconheci os versos de Alberto Caeiro:

"Pelo Tejo Vai-se para o Mundo

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. 
O Tejo tem grandes navios 
E navega nele ainda, 
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, 
A memória das naus. 
O Tejo desce de Espanha 
E o Tejo entra no mar em Portugal. 
Toda a gente sabe isso. 
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia 
E para onde ele vai 
E donde ele vem. 
E por isso porque pertence a menos gente, 
É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 
Pelo Tejo vai-se para o Mundo. 
Para além do Tejo há a América 
E a fortuna daqueles que a encontram. 
Ninguém nunca pensou no que há para além 
Do rio da minha aldeia. 
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. 
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

(Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XX"
Heterônimo de Fernando Pessoa)

A corrida deixou de ser apenas atividade física...

E na beira do Tejo, um turista fazia um vídeo da cidade no qual acredito que eu tenha aparecido correndo... E foi assim, no cruzamento de ruas e avenidas de Lisboa, que me senti um pouco parte do cenário daqui, inserida na vida daqui...

E de repente, num paradoxo aparente, correndo, a gente começa a se fixar.